É fome e vontade do que logo dá nojo. Felicidade repentina proveniente de um aborrecimento relevante. Preguiça de fazer nada. Abatimento de tanto animar-se. Raiva passageira que perdura por dias. Desprezo pela importância de tudo. Sorte de sempre dar azar. Saudade de tudo que está perto. Tristeza nascida num momento de alegria. Amnésia das lembranças mais significativas. Doce amargura do azedo da vida. Revolta por aquilo que se entende. Gritos mudos de injustiça. Mudas vozes de ingratidão. Devoção descrente por um futuro que não surgirá. Inércia de um movimento inconstante que mantém-se firme. Sentido que não tem percepção.
Vc sabe o que é? Eu não sei. Só sinto. Só sinto muito.
Sábado, 11 de Julho de 2009
Ponto final pra recomeçar.
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Domingo, 10 de Maio de 2009
Feliz dia das mães
Mantinha, porém, um medo evidente da minha mãe. Sempre foi uma mulher brava. Meus irmãos mais velhos já estavam na adolescência quando eu ainda aprendia a escrever e ler, e talvez por isso via com mais intensidade como eram fortes os seus sermões e incisivas as suas ordens. Por isso fui uma criança relativamente "bundona" - evitava fazer coisa errada, mesmo que fosse arte de criança, por receio do que pudesse ouvir dela. E assim nasceram os "Mãe, posso sentar no chão? Vc lava a minha roupinha?" ou o "Mas minha mãe não vai gostar!", que eu sempre repetia para os primos e amiguinhos.
Fui crescendo e comecei a avaliar o mundo ao meu redor. Então surgiram as primeiras discussões com a matriarca. Descobri defeitos que antes aparentavam não existir, acreditei que ela implicava demais com algumas coisas e tudo mais que os filhos adolescentes pensam.
Não posso dizer que minha relação com ela agora seja realmente maravilhosa. Discutimos bastante, discordamos em determinados assuntos, pensamos diferente sobre várias coisas. Às vezes ela me irrita, sei que a irrito muito mais.
Mas tem horas que fico pensando no quão forte e corajosa ela é. Passou uma infância dura (com uma mãe bem mais autoritária do que ela mesma), teve um primeiro casamento difícil, criou uma filha a duras penas. Mais tarde criou filhos "adotados", o que exigiu uma certa adaptação e uma grande mudança de vida, afinal a partir daquele momento eram 3 crianças e posteriormente mais uma, eu. Aturou anos de briga com a família do marido e por obra do destino teve que engolir algumas coisas para aceitar a presença dessas pessoas mais tarde.
Nos últimos 2 anos, abdicou consideravelmente de sua vida para cuidar do amor da sua vida, o meu pai. Dia e noite, o alimenta, lhe dá remédios, alivia suas dores, chora junto, acaricia; e em algumas horas demonstra-se impaciente e geniosa.
Mas mãe é isso: uma mistura de defeitos imperdoáveis e qualidades supremas. No fim das contas, estas últimas sempre pesam mais.
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Caras e Bocas
Há alguns anos uma menina fitava o espelho. Os olhos grandes e curiosos vasculhavam cada milímetro de sua imagem refletida. Devo dizer que ela adorava contemplar-se, imitar outras pessoas, representar personagens e cenas de novela, cantar cheia de trejeitos, fazer caretas: tudo isso na frente daquela coisa mágica que mostrava seu reflexo e que também invertia a ordem das palavras escritas.
Naquele dia, entretanto, ela se deteve com uma indagação do futuro, porque talvez foi quando percebeu que as pessoas se transformam e envelhecem. Então, uma ideia lhe passou pela cabeça: como ela seria daqui alguns anos?
O cabelo seria comprido, afinal ela nunca pôde abandonar todos os inúmeros tipos de corte estilo chanel. Bem que poderiam surgir alguns cachinhos, afinal aqueles fios lisos nunca conseguiram manter sequer uma presilha ou um simples rabo-de-cavalo. A boca, os olhos - ficariam iguais? Os lábios talvez tornariam-se mais carnudos, como os da maioria das mulheres que apareciam em revistas. Se bem que o da mãe...
As bochechas! Como ela queria que diminuíssem, ficariam mais bonitas assim. Ainda mais quando pudesse se maquiar de verdade! Seria baixinha ou alta como o pai? Bom, ela achava mulher "pequena" mais charmosa. Que ficasse magrinha, não era pedir muito. E a voz? Não conseguia se imaginar com voz mais de adulta, nem muito fina nem muito grossa.
Projetar sua própria imagem de anos depois era impossível. Mais difícil que divisão com dois números na chave.
O que aconteceu? Ela cresceu. Virou essa Winnie, um pouco diferente do que imaginara. Uma coisa manteve: essa mania de fazer projeções e previsões.
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Partida
De todos os amores e de todas as paixões, só aquela restou. Nas outras? A dor da perda, a dor de corno, a dor da separação de consentimento mútuo, a dor do sentimento platônico ou do não correspondido, a dor na falta de dor.
E todas elas se foram. O que lhe restou foi a cerveja sempre gelada, o amendoim e o jogo nas quartas e finais de semana. É, não é preciso terapeuta ou antidepressivos quando se tem futebol. Mesmo nas derrotas.
E ali está ele, de novo sozinho. Seu amor, sua vida: em jogo. Os dias anteriores passaram lentamente, as projeções e palpites rolaram. É aquele sentimento de adolescente (ou de imaturo) apaixonado, que não sabe se confia plenamente na amada ou se mantém a pose como forma de segurança. Mas ele anda confiante, promete se entregar de corpo e alma. E assim o faz.
No dia marcado, lá está o dito cujo. Roupa alinhada, de acordo com a ocasião. As mãos, geladas, transpiram e tremem. Medo bobo, ele diz a si mesmo. Chega no local e espera. Os minutos se estendem, aterrorizando-no. Alguns outros homens tentam puxar papo, mas a garganta dele está seca e sua voz entala entre as amídalas.
É quando ele vê. Entrando, deslumbrante, em preto e branco. Não são 11 jogadores como tentam nos iludir os olhos; é o Corinthians - uma unidade feita do todo da paixão de um torcedor fanático.
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009
Ficaí a verdade
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também."
Trecho do poema O Desespero da Piedade, Vincius de Moraes.
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Rotina de estrada
A mala era razoavelmente pequena, uma muda de roupa para desmentir a história de que mulher não sabe ser comedida na hora de arrumar as tralhas para viajar.
Apesar disso, porém, o rapaz veio ajudar: precisa de ajuda?, não tá leve, magina a senhora grávida já carrega peso suficiente, ah se não for te incomodar, claro que não, obrigada.
Plataforma 16, o mocinho de bigode mal crescido levantou, ela agradeceu, o outro depositou sua bagagem ao lado da cadeira e foi embora. Um calor miserável e uma criança insuportável ao lado, berrando por "Tódinu, mã!".
O ônibus encostou, um povo mal educado achando que o ônibus vai partir sem eles, desesperados para jogar as malas na cara do ajudante da empresa de ônibus e se refestelar na poltrona - alucinados pela janela, mesmo que seja pra fechar a cortina e não ver a paisagem durante o percurso todo.
Passado o tumulto, ela entrega sua passagem para o motorista (a cara do Dráuzio Varela!). Pesa a perna, a barriga empina, a mocinha do primeiro banco oferece a mão como apoio. Agradecida, ela alcança o corredor, procura por seu lugar e acomoda-se. "Senhor, que aquele moleque chato do Toddynho não sente do meu lado!". Sabe, sentimento materno aflorando incrivelmente...
Mas é ele mesmo que vai na poltrona 18. "Esqueci minha fita crepe, porra!" A mãe dá uns tapas, comenta como o sono perturba uma criança, pergunta de quantos meses ela está, qual o sexo, o nome... aquele papo todo.
Enfim o ônibus sai. A mãe fecha logo os olhos, buscando o mesmo sono do filho. E ela vai ler a reportagem sobre celulite, finalmente.
Dorme logo, acorda, come, o trajeto é interrompido para uma corrida coletiva alucinada em busca de coxinha numa lanchonete duvidosa de beira de estrada. Ela vai, compra umas besteiras, a romaria toda volta. Quilômetros. Sol, chuva, pôr-do-sol, dorme, acorda. Parada policial.
Ok, ela precisa fingir que vai ao banheiro. A barriga entala no pouco espaço que o menino libera, os fardados entram, ela se assusta, tropeça, é jogada pra cima do cara da poltrona do lado oposto, a roupa enrosca em alguma coisa, ela cai no chão.
A senhora tá bem?, ai me desculpa que vergonha, não tudo bem bateu a barriga?, não ela tá...
A roupa rasgou! O sujeito olha com cara estranha e o menino solta um "Mã, ela tem uã alnofada na baíga?". O guarda se aproxima, ela tenta fugir para o fundo do corredor. Em vão. O policial a puxa pelo braço, dá um riso de sarcasmo, arranca a barriga e fura. "Bonito, hein minha senhora!"
"Mulher de 32 anos supostamente grávida é presa em ônibus que saía de São Paulo para Corumbá. Durante uma blitz da Polícia Rodoviária, um incidente revelou que sua barriga era falsa. Intrigados com o fato, os policiais cortaram o tecido e encontraram 2 kg de cocaína em seu interior. Ainda não se sabe onde seria feita a entrega, pois a suspeita não quis responder às perguntas feitas na hora do flagrante, mas a Polícia acredita que a droga seria levada até a fronteira com o Paraguai.(...)"
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Jogo dos 7 erros
Esqueço do quanto aparentamos ser coisas diferentes da realidade, do quanto escondemos alguns fragmentos da nossa personalidade. E, ao mesmo tempo, de como algumas pessoas são capazes de nos mostrar lados ocultos que possuímos.
Alguém escreveu que sou um tanto rebelde, que "não levo desaforo pra casa", apesar de uma fragilidade levemente evidente. Nunca imaginei que passasse essa imagem para alguém, a não ser pelo lado frágil de ser. Mas é verdade: brigo, grito, xingo... e acabo no choro.
Não suporto uma injustiça, não gosto de estupidez injustificável, não aguento seguir uma discussão calada, apenas ouvindo. No calor da coisa, me recuso a aceitar uma atitude errada de minha parte, minha culpa no cartório. A razão é minha, a última palavra tem que (ou deveria) ser minha e a minha voz, a mais alta.
Quem conhece ou já passou por esse meu lado? Quem mora comigo, quem me conhece a mais de 5 anos, quem tem uma relação íntima comigo... Talvez a grande parcela de pessoas que esteja contida na minha vida não, porque insisto em ser simpática, para que sejam comigo. Até um ponto.
Porventura isso seja depreciador, porque quanto mais alguém me conhece, mais se decepciona - afinal os conflitos são proporcionais à intimidade.
Whatever, nunca falei que não tinha defeitos. Grandes defeitos, eu diria.
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008
O galinha paradoxal
O começo da história lhe faz ter dó de Luiz. O meio, nojo de sua canalhice, graça de sua cara de pau, inveja de sua despreocupação anterior à Malu, riso por suas aventuras, inconformidade com sua galinhagem, compaixão por seu amor encontrado. Mas no fim... Primeiro um desalento solidário, depois uma raiva repentina e por fim... pena por sua burrice.
Só tome cuidado para não desacreditar (muito) do amor. :)
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Muito além do raio que nos cerca
Alguma família nordestina divide um pacote de farinha e meio kg de feijão em 12 porções, que devem durar por três dias, se Deus quiser. Uma filha está presa no porão, sendo abusada sexualmente pelo próprio pai. Milhares de mulheres estão sendo agredidas, menosprezadas, tratadas como lixo inutilizável. Médicos lutam para salvar doentes terminais enquanto cientistas tentam encontrar a cura para outros. Alguém chora envergonhado por conta de um vício, de uma fraqueza mental que corrói cada célula do seu corpo. Mães que perderam seus filhos amparam-se umas às outras, sem notícia, sem corpo, sem um fim acalentador. Atulhados feito animais enjaulados, presidiários pagam por suas ações, sem que haja reeducação ou recuperação da maioria - apenas a ampliação do ódio e da insistência para com o crime. Um velho cansado e calado dorme na calçada gelada, ouvindo o ruído dos carros e de seu estômago vazio. Pequenos seres fumam crack, se vendem para caminhoneiros, são vendidos pela família, praticam pequenos furtos pelos centros das capitais.
Enquanto isso, uma criatura escreve uma mensagem para seus amigos virtuais, reclamando da vida e dizendo que não "está pra ninguém". Por quê? Porque sofre de insatisfação inexplicável e crônica, em seu quarto enorme, confortável e recheado das maravilhas da tecnologia, depois de ter feito 2 cirurgias plásticas aos 19 anos.
E algum dia você perceberá como são inúteis esses gestos de autopiedade.
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
Assinale a alternativa correta... "Opa!"
Estou sem o que escrever. Umas coisas na cabeça, mas nada que seja razoável o suficiente pra ser transcrito em linhas blogais. Fora que eu tô passando pela crise do fim de semestre, com mais trabalhos do que dias para realizá-los. Bom, minha criatividade pra esse post foi tão reduzida que simplesmente respondi um "memê" e vou colar aqui. Fica uma confidência: adoooro responder essas coisas, enquetes, formulários, testes... Vício! Haha
Onde está seu celular? Do lado do teclado.
E o amado? No aniversário da tia, uns 60 km daqui, infelizmente.
Cor do cabelo? O mesmo desde que nasci: castanho claro. Ou quem sabe quase escuro?
Sua mãe? Na sala.
Seu pai? Na cama e na luta, há 1 ano.
Suas irmãs/Seu irmão? Vivian está no Chile, Vanessa na faculdade - em pleno feriado, pobrezinha - e Maurício na casa dele, com a mulher e os dois filhos atentados.
Seu filho? Opa, tá lá na fila do céu, esperando pra chegar a vez dele; que fica pra daqui, mais ou menos, uns 10 anos.
O que mais gosta de fazer? Desenhar, escrever, ouvir as músicas que eu gosto, viajar, dormir, comer... Essas coisas de bon vivant!
O que você sonhou na noite passada? Que me ligavam avisando que ele havia partido. Tenho sonhado cada vez mais com isso...
Onde você está? Em casa, sentada na frente do pc.
Onde você gostaria de estar agora? Em outra realidade.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? Paris.
Onde você estava há seis anos? Provavelmente em casa, naquela vida relax de criança.
Onde você estava na noite passada? Fazendo trabalho de FEB e rascunhos pra um cartão de natal. /wee
O que você não é? Paciente.
O que você é? Sonhadora.
Objeto do desejo? No momento? Eeer, um estojo de lápis de cor de 120 cores, da Faber Castell.
O que vai comprar hoje? Nada, porque eu tô falida.
Qual sua última compra? Pincéis pra acrílica e verniz fixador em spray.
A última coisa que você fez? Ler um capítulo do Admirável Mundo Novo.
O que você está usando? Calça jeans, uma blusa listrada roxa e branca e o fiel all star branco.
Na TV? Tô ouvindo a voz da Lília Cabral, portanto, novela.
Seu cachorro? Dois! Mel e Bacana. Queria mais uns 500. :/
Seu computador? 2gb, core 2 duo, windows vista, tela de 17"... Whatever, meu querido companheiro de aventuras e trabalhos pela madrugada.
Seu humor? Ultimamente inconstante, variando de acordo com o ambiente.
Com saudades de alguém? Saudade dos muitos amigos do colégio (seus putos!) e do namorado, que é coisa normal.
Seu carro? Tá na montadora e nos meus sonhos ainda.
Perfume que está usando? Alérgica de nível extremo, não posso usar perfume.
Última coisa que comeu? Mc Max com batatas e suco de maracujá. Me senti uma gorda compulsiva carregando aquele tamanho de lanche. Haha
Fome de quê? De todas as comidas do mundo, porque eu ando com fome crônica.
Preguiça de? Tomar vergonha na cara e fazer algum dos 15 trabalhos que me esperam.
Próxima coisa que pretende comprar? Um óculos de sol, porque eu fiz o favor de perder o outro dentro do ônibus.
Seu verão? Espero passar pelo menos um fim-de-semana no meu amado litoral norte, desprovida do panetone que circunda minha cintura neste momento. :D
Ama alguém? Muitos alguéns!
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Eu dou tanta risada de tudo que acabo nem reparando. Mas vá lá: uns 10 minutos atrás, ouvindo a irmã falar do entregador do McDonald's gatinho de all star e camiseta do Clash.
Quando chorou pela última vez? Hoje, quando acordei depois do sonho.
Primeira vez que eu escrevo uma coisa relativamente pessoal e compreensível. Ao que me parece.
Acho que depois rola um post decente. :)
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